Entre os dias 5 e 7 de outubro, o Teatro Feluma foi palco do ÈKÓ – I Congresso Internacional da Saúde da População Negra. Com o tema “O que os livros escondem, as palavras ditas libertam”, a primeira edição internacional do evento reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais de referência, de âmbito nacional e internacional, em uma programação científica e multidisciplinar.
Realizado pela Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma) e pela Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), com organização dos alunos da Liga Acadêmica de Saúde da População Negra (LASPONE) da FCM-MG e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), este último através de edital. O congresso teve como principal propósito promover um debate multidisciplinar sobre os determinantes sociais e a saúde da população negra, buscando aproximar ciência, formação profissional, políticas públicas e sociedade.
Programação internacional, nacional e cultural
Entre os convidados internacionais estava a médica e pesquisadora Kaytura Felix, da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, estabelecendo pontes entre as experiências brasileira e norte-americana. Também esteve presente o médico indiano Yogesh Jain, referência na atenção à saúde de populações vulneráveis e na construção de modelos de cuidado em territórios marcados por grandes desigualdades sociais.
Já os especialistas brasileiros presentes foram Edilene Lôbo, jurista, professora e ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Andréa Silveira, diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Antônio Lopes, da Universidade Federal da Bahia (UFBA); e Antônio Mauro Saraiva, professor da Universidade de São Paulo (USP) e referência na área de Saúde Planetária.
O congresso também homenageou a escritora mineira Conceição Evaristo e contou com a presença da culinária afro-brasileira, com pratos variados e cheios de ancestralidade oferecidos durante todos os dias de evento, além de apresentações culturais, como a do grupo Congo Mirim, do Quilombo Arturus, localizado em Contagem.
Para o aluno do 10º período de Medicina da FCM-MG e vice-presidente da LASPONE, Vitor Augusto Osório Corrêa, a expectativa é de que o evento se consolide como um espaço de transformação e troca de conhecimentos.
“Com a presença de autoridades, reitores e pesquisadores renomados, a expectativa é que o ÈKÓ gere um impacto prático na visão dos estudantes e profissionais, desmistificando preconceitos e libertando o conhecimento por meio de palavras, debates e ações afirmativas na saúde pública e privada”, conta o vice-presidente da LASPONE.
Um congresso que nasceu dos estudantes
Um dos diferenciais do ÈKÓ está em sua própria origem. O congresso nasceu da mobilização e do protagonismo dos estudantes da FCM-MG que participaram ativamente de sua concepção e construção.
O processo foi orientado pela médica de família e gerente de Inteligência Médica da Saúde Digital Feluma, Dra. Clarissa Lages; pela infectologista e diretora clínica do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais (HUCM-MG), Dra. Raquel Bandeira; e pela psicóloga, Dra. Flávia Castro, em uma construção coletiva que reuniu estudantes, professores, pesquisadores e instituições parceiras.
Crédito da foto: Ana Clara de Holanda