Pesquisa sobre complicações de feridas operatórias em cirurgias do tendão de Aquiles foi apresentada no 44º Encontro Anual da EBJIS, que, neste ano, teve cooperação inédita com a MSIS
Um aluno da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), em conjunto com professores e especialistas do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais (HUCM-MG), participou do 44º Encontro Anual da European Bone and Joint Infection Society (EBJIS), realizado em cooperação, pela primeira vez, com a Musculoskeletal Infection Society (MSIS).

O EBJIS-MSIS 2026 foi realizado de 17 a 19 de setembro, no Centro de Congressos da Alfândega, na cidade do Porto, em Portugal, e é considerado o principal fórum internacional dedicado às infecções osteoarticulares. A edição deste ano marcou a primeira cooperação entre as sociedades europeia e norte-americana da área, reunindo especialistas dos dois continentes para discutir prevenção, diagnóstico e tratamento de infecções musculoesqueléticas. A programação incluiu sessões comparativas entre as práticas clínicas da Europa e da América do Norte, além de discussões sobre revisão de infecções periprotéticas, terapias antibióticas e resistência bacteriana. Segundo informações disponíveis no portal do evento, esta edição reuniu cerca de 1.400 participantes.
Durante o encontro, o aluno Alexandre César Wall Paschoalin, do 9º período de Medicina, apresentou, como autor principal, um trabalho desenvolvido no HUCM-MG, fruto do Programa de Iniciação Científica da FCM-MG. A pesquisa aborda as principais complicações de feridas operatórias em cirurgias do tendão de Aquiles e contou com a orientação e supervisão do Dr. Otaviano de Oliveira, do Dr. Rafael Medeiros e da Dra. Raquel Bandeira, diretora clínica do HUCM-MG e infectologista.

Para a realização do estudo, foram avaliados 64 pacientes submetidos a cirurgias após ruptura do tendão de Aquiles, entre 2019 e 2024. A taxa de complicações observada foi de 20,3%, percentual compatível com a literatura internacional. Entre as principais complicações identificadas estavam infecções (15,6%) e deiscência da ferida (12,5%). Em nenhum dos casos houve nova lesão ou exposição do tendão.
“O principal fator de risco identificado foi a presença de comorbidades como tabagismo, obesidade e diabetes. A conclusão é que, com supervisão adequada e protocolos padronizados (atuação da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH), um Hospital Universitário 100% SUS consegue entregar resultados no nível de centros internacionais, mesmo formando novos especialistas”, finaliza Alexandre Paschoalin.
O artigo completo foi publicado no Journal of the Foot & Ankle e pode ser conferido na íntegra no Link.
Sobre a FCM-MG
Com 75 anos de tradição, a Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais é referência nacional nos cursos da área da saúde, com graduações em Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Odontologia e Psicologia. Um dos pilares da instituição é a promoção da prática desde o início da formação acadêmica. Além disso, os estudantes têm a oportunidade de desenvolver projetos de pesquisa e extensão, participar de intercâmbios internacionais e integrar iniciativas de saúde humanizada, como o Internato de Saúde Coletiva.